Manejo

Nesta seção, você encontrará tudo que precisa saber sobre Sistemas de Identificação Animal.

Perguntas e respostas

Quais são os produtos oferecidos pela Allflex?

No Brasil a Allflex distribui brincos visuais e eletrônicos para identificação de rebanhos, leitores de radio freqüência e chips (implantes) sub-cutâneos.

O que afinal, diferencia o brinco Allflex das outras marcas?

• O design: a Allflex foi a primeira empresa no mundo a fabricar brincos com duas peças (macho e fêmea). Isto foi há cinqüenta anos. Desde então, temos adaptado o formato de nossos brincos para proporcionar um produto mais seguro e durável.

• O sistema de fechamento: a Allflex desenvolveu e patenteou o sistema Rotaclip® de fechamento, que permite a total rotação do brinco e ao mesmo tempo limita a distância entre as partes macho e fêmea, evitando que a orelha do animal seja pressionada e garantindo a aeração necessária para uma boa cicatrização.

• A matéria prima: nossos brincos são feitos em poliuretano de alta qualidade, especialmente tratados com aditivos que os protegem da ação do sol e que aumentam o contraste da gravação a laser.

Confira os diferenciais dos produtos Allflex

Como são gravados os brincos visuais?

A empresa oferece basicamente dois tipos de gravação:
a) gravação a laser de última geração: a gravação a laser garante a permanência definitiva da impressão no brinco e permite maior liberdade na escolha e volume de informação a ser gravada.
b) laser combinada com jato de tinta – Sistema Double Print®: tecnologia exclusiva e patenteada pela Allflex que une a máxima durabilidade da gravação a laser e a alta visibilidade da gravação a jato de tinta.

Os brincos podem cair?

Uma vez bem colocados, seguindo-se corretamente as instruções, os brincos têm possibilidade mínima de cair. Condições inadequadas, como por exemplo, pastos muito sujos, podem comprometer a retenção. Nos casos em que a colocação é bem feita, mesmo sob condições extremas temos observado casos de retenção superior a 99,5% em cinco anos.

Os brincos podem causar infecções?

Toda infecção é causada pela presença de germens. Não existe geração espontânea. Para que isto não aconteça é importante que as instruções de aplicação sejam seguidas à risca.

Saiba mais detalhes.

Os brincos podem causar bicheiras?

Da mesma forma que na questão anterior, os brincos por si só não podem causar bicheiras. Quando isto acontece, a razão é que a ferida provocada pela aplicação, não foi suficientemente bem protegida com a aplicação de repelentes de moscas com poder residual de no mínimo cinco dias.

Posso usar aplicadores de outras marcas para aplicar os brincos Allflex?

Não. Embora alguns deles até permitam a colocação, sempre existe o risco de que as peças não estejam perfeitamente adaptadas. Esta falta de adaptação poderá causar danos irreparáveis na estrutura do brinco, diminuindo sua vida útil ou até mesmo ocasionando a queda.

O que escolher, brinco visual ou eletrônico?

A escolha do produto mais indicado vai depender do estágio de evolução técnica da propriedade.

Naquelas onde por várias razões, os dados colhidos não puderem ser inteiramente aproveitados para o gerenciamento, certamente haverá dificuldades para se justificar os custos da identificação eletrônica.

Por outro lado, o aproveitamento da informação e a capacidade de gerar relatórios que permitam ao produtor tirar o máximo de cada indivíduo do rebanho, pagará com sobras o custo da adoção de um programa eletrônico.

Nas propriedades ainda não totalmente preparadas, dentre todas as outras opções, mundialmente o brinco auricular visual tem sido a escolha devido às inúmeras vantagens que apresenta perante as demais.

O que devo fazer para implementar um sistema de identificação eletrônica em minha propriedade?

Um brinco eletrônico não tem utilidade por si só. Sua utilização depende da existência de um sistema, composto por no mínimo, brincos eletrônicos, um leitor de radiofreqüência e um computador ou coletor para o armazenamento dos dados coletados.

Mesmo assim, com esse material o que se tem é uma forma cara de se ler a identificação dos animais.

Para se realmente colher os benefícios da identificação eletrônica, sua utilização deve estar em conjunto com um sistema de gerenciamento. Esses sistemas podem ser simples ou complexos, e são compostos por quatro elementos: brincos eletrônicos, leitores de radiofreqüência, computador e software. Alguns softwares de gerenciamento são capazes de receber dados diretamente dos leitores de radiofreqüência, dando acesso em tempo real aos dados de cada animal e de seus grupos (lotes). Em certos casos, o computador pode ser substituído por uma balança eletrônica, que armazenará os pesos dos animais juntamente com seus números e, em alguns casos permitir o registro de dados referentes ao manejo sanitário e reprodutivo dos animais.

Identificação animal e coleta de dados automática

1. Por que coletar dados automaticamente

A transformação de fazendas em industrias produtoras de carne vem se realizando através da introdução de técnicas administrativas há muito comuns em outros tipos de industria.

Na produção de gado de corte, a identificação animal e coleta de dados a campo nada mais é do que uma ferramenta de controle para os diferentes estágios da produção e das quantidades de estoque.

Técnicas administrativas nos empreendimentos rurais representam hoje um fator decisivo para a correta utilização dos recursos materiais, financeiros e humanos. Nesse sentido, a coleta de dados automática possibilita um controle e monitoramento da produção mais confiável, seguro e ágil.

2. Como automatizar a coleta de dados

Existem dois métodos básicos de automatização do processo de coleta de dados para o manejo de animais a campo.

Um deles é através da leitura de brincos com códigos de barras, e outro através do uso de dispositivos RFID (Radio-Frequency Identification), também conhecida como Identificação Eletrônica (brinco eletrônico, bolus intra-ruminal ou implante subcutâneo).

2.1. Brincos com códigos de barras

Os brincos com códigos de barras são brincos visuais, com marcação a laser, que graças a gravação de um código [alfa-numérico] composto por barras e espaços, podem ser lidos por leitores especiais, com sensores fotoelétricos que interpretam o código através da luz refletida (ou sua ausência) nas barras.

Existem dois padrões de códigos de barras normalmente utilizados na pecuária: BC 128 e 2 de 5 entrelaçado. Sendo o primeiro capaz de processar números e letras (alfanumérico), mais utilizado na industria, e o segundo somente numérico, mais utilizado pelo setor financeiro.

No caso da industria de brincos de identificação animal, a utilização de códigos de barras nos brincos oficiais tem servido principalmente para auxiliar nos procedimentos de controle de qualidade e verificação da unicidade dos números, e para controle dos animais nos frigoríficos, normalmente após o abate.

A utilização de brincos com códigos de barras como instrumento de manejo na pecuária é considerada ineficaz, pois sujeira nos brincos e a constante movimentação dos animais, somadas às condições de iluminação normalmente encontradas em currais, comprometem a capacidade de leitura desses dispositivos.

Para a leitura do código de barras do brinco algumas especificações precisam ser atendidas pelo leitor:
• ser um leitor de código de barras a laser, classe II
• estar configurado para ler o padrão do código gravado no brinco

2.2. Identificação eletrônica (RFID)

"Radio Frequency Identification" (RFID) ou "Identificação por Radiofreqüência" é um método de identificação que utiliza um sinal transmitido entre um aparato eletrônico conhecido como "transponder" (brinco eletrônico, bolus intraruminal ou implante subcutâneo) e um aparelho de leitura chamado "transceiver" (leitor ou coletor de dados).

O aparelho de leitura emite um sinal eletromagnético, que ativa o transponder, e este responde com outro sinal, contendo seu número. O leitor então identifica o número do transponder, e repassa esse dado para algum tipo de registro (como por exemplo uma base de dados), onde estarão guardados outros dados referentes àquele número.

TRANSPONDER = transmitter + responder
TRANSCEIVER = transmitter + receiver

A identificação por radiofreqüência pode ser utilizada para identificar carros, animais de companhia ou rebanhos, pássaros, caixas contendo produtos, partes em uma linha de montagem, etc.

Existem vários sistemas diferentes, e a natureza do elemento a ser identificado assim como suas circunstancias de uso serão os elementos que determinarão o tipo de sistema a ser utilizado.

Em situações onde se faz necessária identificação a longa distancia (como por exemplo a perseguição por helicóptero de animais selvagens), torna-se necessário um aparelho (transponder) "ativo" alimentado por baterias, para que o sinal emitido possa alcançar o leitor. Esse artigo não tratará esses aparelhos.

Os identificadores de RFID (transponders) mais comumente utilizados em animais são "passivos". Eles não possuem baterias ou outra fonte própria de energia. Esses identificadores utilizam a energia transmitida pelos leitores (transceivers) para emitir seu sinal. Esse método de coleta de energia utilizado pelos transponders limita em muito a distancia operacional entre o transceiver e o transponder.

Ao ser acionado, o transceiver (leitor) cria um campo de energia a seu redor, e o transponder recebe essa energia quando sua antena entra dentro desse campo. O transponder então usa essa energia para alimentar um circuito integrado que fica ligado a antena. O circuito integrado (o microchip) cria então um sinal com características especificas, que inclui seus dados de identificação (seu numero) e transmite esses dados utilizando a mesma antena que coletou a energia.

O sinal é então recebido pelo transceiver, seja pela mesma antena que criou o campo de energia ou por outra antena de recepção. O transceiver interpreta esse sinal, convertendo-o de um formato binário para decimal ou outro formato, e o envia para um display, computador ou outro aparelho. Em alguns casos, somente os dados do transponder são suficientes para identificar seu portador. No entanto, em muitas situações, e em particular na identificação de animais, torna-se necessário cruzar o numero contido no chip com uma base de dados, para buscar os dados completos daquele individuo.

Existem dois tipos principais de transponders de baixa freqüência: FDX (full-duplex) ou HDX (half-duplex). Mais detalhes sobre essas tecnologias são explicadas no ítem 2.2.1 abaixo.

2.2.1. Transponders Full-Duplex (FDX) e Half-Duplex (HDX)

Existem dois tipos de transponders sendo comercialmente utilizados para identificação de rebanhos.

A diferença entre eles está na forma pela a qual eles se comunicam com um transceiver, isto é, na forma de transmissão de dados.

Na comunicação denominada half-duplex (HDX), o transponder se comunica com o transceiver como se fossem "walkie talkies", isto é, ambos não podem "falar" ao mesmo tempo. É como se o transceiver dissese: "quem está aí? Câmbio", e o transponder após "escutar" a pergunta, respondesse com seu número em formato binário "101100100100111, Câmbio". A principal vantagem desse sistema é que, por requerer menos energia, tem um alcance de leitura maior do que um sistema FDX.

No caso da comunicação full-duplex (FDX), transponder e transceiver se comunicam como em uma conversa de telefone. Isto é, ambos podem falar ao mesmo tempo. O sinal emitido pelo transceiver é continuo. Ele recebe a resposta do transponder sem ser obrigado a "calar-se" para escutar. Esse método de comunicação é mais rápido e a fabricação dos transponders é mais barata. No entanto, a distancia de leitura entre transponder e transceiver é menor do que em um sistema HDX.

3. Entendendo os padrões ISO

A "International Standards Organization" (ISO), é uma associação internacional de organismos de padronização. Ela não possui autoridade regulatória, e limita-se à produção de normas, procedimentos e regulamentações em um amplo campo de assuntos e aplicações.

Esses padrões internacionais fornecem os moldes para que cada membro possa desenvolver seus próprios padrões. Agencias reguladoras podem adotar esses padrões ISO sem modificações, ou alterá-los para atender a condições locais. O resultado é que esses padrões tornam-se internacionalmente compatíveis, consistentes e claros.

Padrões ISO não possuem força de lei. Quando países, agencias reguladoras ou usuários especificam que certos produtos ou serviços devam atender a uma o mais normas, essas organizações dão seu peso legal a essa decisão, e são elas mesmas responsáveis pelo cumprimento dessa lei ou regulamentação.

O sistema ISO, entretanto, prevê um certo grau de segurança de qualidade, apontando outras organizações para acessar produtos ou serviços e certificar sua conformidade com alguma norma em particular. Nesse caso, é a organização certificadora que se torna legalmente responsável pela veracidade da certificação.

3.1. Padrões ISO para Identificação Eletrônica de Animais

3.1.1. ISO 11784

ISO 11784 é uma norma internacional que descreve a estrutura e a informação contidas no código de radiofreqüência utilizados na identificação de animais.

Ela especifica o comprimento de 64 bits para a mensagem binária enviada pelo transponder para o transceiver, e o significado de cada bit dentro dessa seqüência. A mensagem é dividida em diferentes seções com significados específicos, incluindo a indicação de que o transponder é para uso animal, fabricante e/ou código do país, mais um código fixo de identificação do transponder. Existe também uma seção de para identificação de erros (digito verificador), que garante que a mensagem foi lida corretamente pelo transceiver e outras seções que ficam reservadas para uso futuro.

A norma ISO 11784 também especifica que é responsabilidade de cada pais assegurar-se de que cada transponder carrega um código único dentro daquele país, e aconselha cada país a manter uma base de dados contendo informações sobre todos os números emitidos e os animais que foram associados a eles.

No Brasil, a ABNT (Associação Brasileiras de Normas Técnicas) tem o papel de entidade reguladora das normas ISO, e já adotou a norma ISO 11784.

Tudo o que um brinco de identificação animal faz é transmitir seu numero para o leitor. Este, por sua vez, cruzará esse número com alguma base de dados, para então encontrar os dados sobre aquele animal.

Bit No. Total Bits Conteúdo do bloco Combinações
1 1 Diferencia os transponders para uso animal (=1) e não animal (=0) 2
2-15 14 Espaço reservado para uso futuro 16.384
16 1 Uso do bloco anterior sim (=1), não (=0) 2
17-26 10 Código do país ou do fabricante, segundo norma ISO 3166 1.024
27-64 38 Possíveis combinações para códigos de identificação nacional 274.877.906.944

3.2. Transponders compatíveis ISO

Existe no mercado uma grande gama de produtos em diferentes tamanhos e com diferentes finalidades. Existem também variações em termos de performance dentre modelos semelhantes.

O importante é que eles transmitam o mesmo formato de mensagem, dentro da mesma freqüência, sendo eles FDX ou HDX.

Todos os transponders contém um circuito integrado (microchip) porém esses podem ser muito diferentes em complexidade e performance.

Microchips são normalmente fabricados sob-encomenda por uma fabrica especializada (um fabricante de "wafers"), que produz chips para vários tipos de uso. Esses microchips são então transformados em transponders, recebem uma antena, e são moldados dentro de algum tipo de embalagem: tubo de vidro, brinco auricular, bolus intra-ruminal, etc.

Algumas das variações na construção do transponder acarretarão em variações em velocidade de leitura e distancia (ver item 5). Tais variações são normalmente refletidas no preço do dispositivo.

3.3. Leitores Compatíveis ISO

Um leitor ISO deve ser capaz de ler transponders HDX e FDX, de acordo com os protocolos de comunicação ISO. Alguns leitores são capazes de ler outros protocolos. No entanto, adição de tecnologias normalmente reduz a eficiência do equipamento (velocidade, distancia de leitura, etc.). Para certos transponders, a distancia de leitura pode ser melhorada com da utilização de leitores com antenas maiores.

O custo de um leitor (transceiver) vai variar de acordo com sua funcionalidade e tamanho.

3.4. A Unicidade dos Números

A ISO, na realidade, não garante ou regula a unicidade de números ou quaisquer outras características de produtos "certificados". Os padrões ISO e seus protocolos associados servem para que países possam prever mecanismos através dos quais se possa garantir as características de um produto. No caso da unicidade dos números, utilizam-se códigos específicos para o país e para o fabricante, junto com o numero do animal, e um sistema de gerenciamento de base de dados.

No caso da utilização do código do país, esses são emitidos de acordo com um outro padrão (ISO 3166), que relaciona os códigos para representação dos nomes dos países. O código ISO do Uruguai, por exemplo – onde está sendo implementado um sistema oficial de identificação eletrônica – é 858.

No caso dos fabricantes de transponders para identificação animal, a ISO nomeou o Comite Internacional de Registro Animal (ICAR) como órgão emissor dos códigos de fabricante, para aqueles fabricantes que puderem demonstrar que seus transponders estão em conformidade com os padrões em questão. Esse contrato dá a ICAR o direito de investigar queixas e inspecionar aleatoriamente os transponders vendidos. Em adição, o contrato requer a garantia de que o fabricante só venderá transponders com numeração única e inalterável. O código do fabricante é normalmente incluso na mensagem transmitida pelo transponder no lugar do código do país. Em caso de fraude, onde esse código é copiado, ações legais podem ser tomadas, baseadas em leis de falsificação.

Na Austrália, por exemplo, utiliza-se o código do fabricante no lugar do código do país. Lá, os brincos Allflex, vendidos para o sistema oficial de rastreabilidade, são identificados pelo código ICAR 982.

A unicidade dos números em cada país é garantida pela utilização dos números do país e do fabricante. Uma entidade nacional pode controlar a distribuição dos transponders em sua jurisdição, ou pode ter acordos com todos fornecedores credenciados, assim como um sistema de classificação de distribuidores. Um país pode, por exemplo, requerer que todos os números utilizados sejam previamente armazenados em uma base de dados nacional. Independente do modo operacional de cada país, este deve sempre se precaver através de dispositivos legais que permitam proteger o sistema contra fraudes.

3.4.1. Métodos de gravação dos números dos transponders

A gravação dos números dos transponders pode ser feita de duas maneiras, conhecidas como OTP e Read Only.

OTP, que significa em inglês One-Time Progarammable (programação única) é um método pelo qual um chip sai "virgem" da fábrica, e é possível escolher-se os números que serão gravados nele. Isto é, em um ambiente onde aplica-se a norma ISO 11784, o fabricante ou outra entidade credenciada para tal, escolhe a seqüência que será gravada em cada transponder, respeitando as regras de divisão de bits descritas na norma, assim como a unicidade daquele número. Uma vez feita a gravação, o transponder se auto-bloqueia, e não aceita mais mudanças.

Read-Only é quando os transponders são gravados no momento de sua fabricação, e não aceitam quaisquer modificações. Esse método grava números únicos porém aleatórios, o que significa que não há seqüências de números saindo das máquinas.

3.5. O ICAR

ICAR é uma organização internacional sem fins lucrativos, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento e melhorias nas atividades de registro de desempenho e avaliação de animais para pecuária.

Fundada em meados do século passado para o estabelecimento de regras internacionais para mensuração do teor de gordura no leite e na manteiga, sua função hoje é de estabelecer padrões e definições para a mensuração de quaisquer características relacionadas à atividade pecuária representando interesses econômicos.

Essas definições podem ser relacionadas aos métodos utilizados para identificação animal, registros genealógicos, registros de desempenho e avaliações relacionadas, e a publicação de resultados.

Em adição, o ICAR fornece incentivos para a concentração e colaboração entre organizações internacionais, autoridades públicas e a industria, em todas as atividades relacionadas ao registro de desempenho e avaliações de animais para pecuária.

3.6. Registros

A armazenagem e o gerenciamento de dados (base de dados) são fundamentais para o funcionamento do sistema. Além de garantir a unicidade dos números, um aplicativo de base de dados permite ligar um numero a um proprietário, ou algum outro tipo de informação. Acesso a esse tipo de informação é a função primária de um sistema de RFID. Evidentemente, as espécies animais e outras condições de uso afetarão na arquitetura dessa base de dados.

3.7. Autenticidade

Alguns consumidores tem expressado dúvidas em relação a veracidade das informações fornecidas por fabricantes sobre a compatibilidade ISO de seus produtos. Conforme discutido no item 3.4 acima, a ICAR foi apontada pela ISO para testar produtos e assegurar que esses são compatíveis com as normas ISO 11784 e 11785. Produtos em conformidade são credenciados e tem números de fabricante emitidos, segundo regras contratuais com a ICAR, que se responsabiliza pela conformidade dos produtos, conforme descrito no item 4 acima.

3.8. Vantagens em Utilizar Produtos Compatíveis ISO

A normas ISO fornecem a segurança de que os animais podem ser identificados (lidos) por quaisquer transceivers compatíveis ISO, em qualquer parte do mundo, a qualquer momento. Proprietários de animais e consumidores podem ter a certeza de que existem vários fornecedores competindo para colocar no mercado produtos compatíveis, cada vez mais avançados e por menores preços, ao invés de estarem presos a um único fornecedor.

4. Transponders Avançados

Esta é uma área de grandes desenvolvimentos tecnológicos, onde os principais elementos são as funções adicionais agregadas aos transponders, tais como capacidade de leitura e gravação (read-write), sensores integrados e métodos de autenticação.

A norma ISO 11784 permite o desenvolvimento virtualmente ilimitado de novos tipos de transponders, com uma vasta gama de aplicações potenciais. Uma nova norma baseada nas normas ISO 11784 e 11785, está atualmente sendo discutida, visando facilitar esse progresso.

Pelo momento, ainda não existe demanda para novos produtos, e o desenvolvimento desses novos padrões está sendo conduzido por um grupo de trabalho dentro da ISO, composto pelos fabricantes envolvidos no processo de certificação ISO, visando evitar futuras incompatibilidades. No entanto, novos produtos só serão lançados uma vez que haja uma sólida demanda no mercado.

5. Aplicações da identificação eletrônica na pecuária

Conforme descrevemos nos itens acima, a utilização de identificadores eletrônicos faz-se pertinente quando casada a algum modo de tratamento eletrônico de dados.

Na pecuária, em particular, utiliza-se identificadores eletrônicos da seguinte maneira:

• Balança eletrônica + leitor (transceiver)
Com um leitor conectado a uma balança eletrônica, o pecuarista registra, na balança, o peso exato de cada animal. Algumas balanças mais avançadas permitem o registro de outros dados, como vacinações e algumas outras medições. Essas balanças também podem ser conectadas a computadores para que os dados coletados sejam repassados para alguns programas de gestão.

• Computador + leitor (transceiver)
Em algumas propriedades utiliza-se um computador (normalmente um notebook) ligado ao leitor, que recebe as informações do leitor e as trata diretamente dentro do sistema de gerenciamento da fazenda.

5.1. Os diferentes produtos de RFID

5.1.1. Bolus intrarruminal

É uma cápsula de cerâmica alumina que abriga o microchip em seu interior. O Bólus é aplicado por via oral, através de aplicador específico, no rúmem do animal.

• Vantagens:
Nível de perda zero.

• Desvantagens:
Não pode ser aplicado em animais muito jovens, devido a risco de sufocamento;
Seu posicionamento dentro do animal torna a sua leitura mais complexa;
Difícil de ser coletado na hora do abate do animal.

5.1.2. Implantes subcutâneos

O transponder subcutâneo é um microchip encapsulado por uma película de silicone biocompatível, normalmente injetado na "prega" umbilical do bovino.

• Vantagens:
Baixo nível de perda.

• Desvantagens:
Seu posicionamento dentro do animal torna a sua leitura mais complexa;
Algumas perdas devido a migração dentro do animal;
Muito difícil de ser coletado na hora do abate do animal.

5.1.3. Brinco eletrônico

Os brincos são geralmente compostos por uma parte "macho" e outra "fêmea", que se encaixam. Existem modelos no formato redondo e outros no formato de brincos convencionais.

• Vantagens:
- Leitura fácil;
- Facilmente retirados na hora do abate;
- Podem ser identificados visualmente.

• Desvantagens:
Nível de perda acima daquele encontrado em outras categorias, porém aceitável.

5.2. Projeto IDEA

O projeto IDEA é uma iniciativa da União Européia visando testar a viabilidade da criação de um sistema comum de identificação animal baseado no uso de RFID.

O projeto foi subdividido em 10 subprojetos em seis países europeus, e compreende a aplicação de identificadores eletrônicos em diferentes condições, tais como diferentes espécies e raças (bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos), em diferentes ambientes de criação (ex.: extensivo, intensivo), sendo movimentados diferentemente (intra UE e extra UE), e sob diferentes condições climáticas e de abate (incluindo extremos em temperaturas entre o norte e o sul do continente europeu).

Aproximadamente novecentos mil animais foram identificados com algum tipo de RFID (brincos, implantes e bolus), e aproximadamente cinco mil propriedades e cinco mil e quinhentas pessoas foram envolvidas no projeto IDEA.

A avaliação dos diferentes produtos testados foi baseada em fatores ligados à aplicação, utilização e segurança. De um modo geral, os resultados dos testes dão preferência à utilização dos brincos eletrônicos, já que o estudo parte da premissa de que um sistema de identificação eletrônica deve garantir a identificação e leitura com rapidez e qualidade.

A tabela abaixo traz um resumo geral das conclusões encontradas:

  Bolus Implante Subcutâneo Brinco Eletronico
Aplicação no animal + +* ++
Leitura com aparelhos portáteis - + ++
Leitura automática para gerenciamento do rebanho +/- + ++
Recuperação em abatedouros + - ++
Perdas ++ ++ +
Proteção contra trocas ou retiradas não autorizadas ++ ++ +**
++ altamente positivo      /     + positivo      /      - negativo
* requer mão-de-obra treinada      /       ** em combinação com base de dados

Deve-se notar que os brincos eletrônicos foram considerados superiores nos quesitos referentes à usabilidade. Por serem de uso externo, tiveram uma avaliação menos favorável, porém aceitável, em termos de perdas e de proteção contra retirada e trocas, e foram os únicos a não ter nenhuma avaliação negativa.

A Allflex foi a única empresa a participar dos testes com produtos nas três diferentes categorias (bolus, implantes e brincos).

6. Os fabricantes mundiais (ICAR)

A lista de fabricantes de RFID credenciados pela ICAR pode ser encontrada no seguinte endereço: www.icar.org/animal.htm